Radioterapia

O que é Radiodermite?

A radiodermite é uma reação inflamatória da pele causada pela radiação ionizante utilizada na radioterapia. Considerada um dos efeitos adversos mais frequentes desse tratamento, ela ocorre porque a radiação, além de atingir as células tumorais, também pode afetar temporariamente as células saudáveis da pele presentes na área irradiada. 

A gravidade da radiodermite varia de acordo com fatores como a dose de radiação, a região tratada e as características individuais do paciente. 

Quais são os principais sintomas da Radiodermite?

Os sintomas da radiodermite variam conforme a intensidade da reação da pele à radiação e tendem a evoluir ao longo do tratamento radioterápico. 

Entre os principais sinais e sintomas da radiodermite estão: 

  • Vermelhidão (eritema): geralmente é a primeira manifestação clínica da radiodermite e pode variar de discreta a intensa; 
  • Ressecamento da pele (xerose): a pele pode ficar mais seca, áspera e sensível devido ao comprometimento da barreira cutânea;
  • Coceira (prurido): pode surgir nas fases iniciais e causar desconforto, aumentando o risco de lesões por atrito ou escoriações;
  • Sensação de calor ou ardor: é comum na área irradiada em decorrência da resposta inflamatória local;
  • Descamação seca: caracteriza-se pela perda de células superficiais da pele, geralmente acompanhada de ressecamento;
  • Descamação úmida: ocorre quando há perda mais intensa da integridade da pele, com exposição da derme e presença de exsudato; 
  • Dor ou sensibilidade: podem acompanhar as reações mais intensas e impactar o conforto do paciente durante o tratamento;
  • Edema: algumas pessoas podem apresentar inchaço na região irradiada como parte da resposta inflamatória; 
  • Ulceração (casos graves): em reações graves, podem ocorrer lesões ulceradas e até necrose tecidual, embora essas manifestações sejam menos frequentes com as técnicas modernas de radioterapia. 

Observação importante: nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas ou na mesma intensidade. A gravidade da radiodermite depende de fatores relacionados ao tratamento e às características individuais de cada pessoa. Assim como, o acompanhamento contínuo da pele é fundamental para identificar precocemente essas alterações e orientar a conduta mais adequada. 

Como é feita a classificação da Radiodermite? 

A classificação da radiodermite é realizada por profissionais de saúde a partir da avaliação clínica da pele irradiada. E o objetivo é determinar a gravidade da lesão, orientar a conduta mais adequada e acompanhar sua evolução ao longo do tratamento. 

Atualmente, os sistemas de classificação mais utilizados internacionalmente são o Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE), desenvolvido pelo National Cancer Institute (NCI), e a escala da Radiation Therapy Oncology Group/European Organisation for Research and Treatment of Cancer (RTOG/EORTC). Ambos classificam a radiodermite de acordo com os sinais clínicos observados, como eritema, descamação, edema e ulceração. Confira:

Classificação da Radiodermite segundo o CTCAE (NCI) 

GrauCaracterísticas Clínicas
Grau 1 Eritema discreto ou descamação seca. 
Grau 2 Eritema moderado a intenso, descamação úmida localizada (principalmente em dobras cutâneas) e edema moderado. 
Grau 3 Descamação úmida em áreas além das dobras da pele, podendo ocorrer sangramento provocado por pequenos traumas ou abrasão. 
Grau 4 Necrose ou ulceração envolvendo toda a espessura da derme, sangramento espontâneo ou necessidade de enxerto de pele. 
Grau 5 Óbito relacionado à complicação da reação cutânea. (extremamente raro). 

Classificação da Radiodermite segundo a escala RTOG/EORTC 

GrauCaracterísticas Clínicas
Grau 0Sem alterações em relação à condição basal da pele. 
Grau 1Eritema leve, descamação seca, epilação localizada ou diminuição da sudorese. 
Grau 2 Eritema intenso, edema moderado e descamação úmida localizada. 
Grau 3 Descamação úmida confluente fora das dobras cutâneas e edema importante. 
Grau 4 Ulceração, hemorragia ou necrose da pele. 

Nota: Os critérios apresentados são um resumo para fins educativos. A graduação da radiodermite deve ser realizada por profissionais habilitados, utilizando os critérios completos das escalas originais. 

É possível prevenir a Radiodermite? 

Sim. Embora nem todos os casos de radiodermite possam ser evitados, a adoção de medidas preventivas baseadas em evidências pode reduzir a frequência e a gravidade das reações cutâneas causadas pela radioterapia. 

O acompanhamento multiprofissional, a avaliação frequente da pele e o uso de tecnologias indicadas para proteção da área irradiada fazem parte das estratégias recomendadas para preservar a integridade da pele ao longo do tratamento. 

Entre as principais medidas preventivas da Radiodermite estão: 

  • Realizar avaliações periódicas da pele durante todo o tratamento radioterápico; 
  • Manter a pele limpa e hidratada conforme orientação da equipe de saúde; 
  • Evitar atrito, fricção e traumas na região irradiada; 
  • Proteger a pele contra irritantes físicos e químicos, como roupas apertadas e produtos não recomendados pela equipe assistencial; 
  • Utilizar tecnologias de proteção da pele com respaldo científico quando indicadas pela equipe de saúde, entre elas, o Mepitel® Film, um filme transparente com tecnologia Safetac®, tem sido estudado como estratégia para ajudar a reduzir a incidência e a gravidade da radiodermite em pacientes submetidos à radioterapia. Em 2025, um Clinical Practice Statement da MASCC (Multinational Association of Supportive Care in Cancer) passou a recomendar que filmes de barreira, como o Mepitel® Film, sejam considerados para pacientes elegíveis, com base nas evidências clínicas disponíveis e na avaliação individual de cada caso. 

Como deve ser feito o tratamento da Radiodermite? 

O tratamento da radiodermite depende da gravidade da lesão e deve ser individualizado, considerando a avaliação clínica, os sintomas apresentados e a fase da radioterapia. 

O principal objetivo é aliviar os sintomas, preservar a integridade da pele, favorecer a cicatrização quando houver lesões e permitir que o tratamento radioterápico seja mantido sempre que possível, baseando-se no grau da radiodermite e nas melhores evidências disponíveis. 

De forma geral, o manejo da radiodermite pode incluir: 

Grau da Radiodermite Conduta geralmente adotada
Leve (graus 1 e 2) Monitoramento da pele, higiene adequada, hidratação conforme protocolo institucional e controle dos sintomas, como prurido, ardor e desconforto. 
Moderada a grave (graus 2 e 3, com descamação úmida) Proteção da área lesionada, manejo do exsudato, controle da dor e utilização de coberturas apropriadas, conforme avaliação da equipe assistencial. Entre as opções com evidência clínica está o Mepilex® Lite, uma cobertura de espuma com tecnologia Safetac® desenvolvida para absorver o exsudato, proteger a pele fragilizada e minimizar o trauma durante as trocas de curativo. 
Grave (grau 4) Avaliação médica imediata, tratamento especializado e acompanhamento contínuo devido ao risco de ulceração, necrose e outras complicações. 

Observação: A indicação de coberturas específicas deve considerar as características da lesão e as necessidades de cada paciente. 

Por que é importante prevenir e tratar a Radiodermite?

Prevenir e tratar a radiodermite é essencial para preservar a integridade da pele, reduzir os sintomas e contribuir para a continuidade do tratamento radioterápico.

Por isso, a avaliação contínua da pele, aliada à adoção de estratégias preventivas e terapêuticas baseadas em evidências científicas, é fundamental para minimizar complicações, favorecer o manejo adequado das lesões quando presentes e promover mais conforto, segurança e qualidade de vida ao paciente durante todo o tratamento. 

Neste contexto, investir em um cuidado preventivo e individualizado significa não apenas tratar as alterações da pele, mas também oferecer uma experiência mais segura e acolhedora ao paciente durante toda a jornada da radioterapia.

Fontes:

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10166790

https://www.scielo.br/j/reeusp/a/7wyHKnFDpvM8WzbHwR5hBRL/?format=pdf&lang=pt

https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/22526

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36990615

https://dctd.cancer.gov/research/ctep-trials/for-sites/adverse-events/ctcae-v5-8×11.pdf

https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/1889/1146

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11935096

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41331135

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20647511

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https://ascopubs.org/doi/abs/10.1200/JCO.22.01873

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