Lesão por Pressão no paciente cirúrgico

Lesão por Pressão no paciente cirúrgico: por que ela acontece e como prevenir?

As lesões por pressão (LPs) estão entre os eventos adversos potencialmente evitáveis mais relevantes na assistência hospitalar. No contexto cirúrgico, esse risco ganha ainda mais importância devido a fatores como tempo prolongado de imobilidade, posicionamento cirúrgico e também a condições específicas relacionadas ao procedimento.

Apesar de frequentemente subestimadas, as lesões por pressão relacionadas ao pacientecirúrgico representam um problema global de saúde, impactando diretamente a morbidade, mortalidade e os custos assistenciais. Inclusive, estudos indicam que até 19% dos pacientes cirúrgicos podem desenvolver lesões por pressão.

Além do impacto clínico, essas lesões também são consideradas indicadores importantes de qualidade assistencial, uma vez que, na maioria das vezes, podem ser prevenidas com avaliação adequada de risco, posicionamento correto e uso de estratégias protetivas durante o procedimento cirúrgico.

O que é lesão por pressão no paciente cirúrgico?

A lesão por pressão é um dano localizado na pele e/ou nos tecidos subjacentes, causado pela pressão prolongada, frequentemente associada a forças de cisalhamento ou fricção.

No contexto cirúrgico, essas lesões ocorrem quando os tecidos moles do paciente permanecem submetidos a pressão contínua contra superfícies rígidas da mesa cirúrgica ou dispositivos médicos. Essa pressão compromete o fluxo sanguíneo, levando à isquemia tissular e, consequentemente, ao dano tecidual.

Embora possam se iniciar durante a cirurgia, muitas dessas lesões só se tornam visíveis dias depois do procedimento, o que contribui para que sejam frequentemente subdiagnosticadas ou associadas a outros fatores clínicos.

Por que as lesões por pressão acontecem durante cirurgias?

Durante procedimentos cirúrgicos, diversos fatores contribuem para o desenvolvimento de lesões por pressão. O principal deles é a imobilidade prolongada, que impede o alívio natural da pressão sobre determinadas áreas do corpo.

Além disso, o posicionamento cirúrgico, o tempo de cirurgia e alterações fisiológicas como hipotensão ou redução da perfusão tecidual podem intensificar o risco de dano aos tecidos.

Fatores como temperatura da sala operatória, uso de determinados fármacos e condições clínicas do paciente também podem contribuir para a diminuição do fluxo sanguíneo e para a maior vulnerabilidade da pele durante o procedimento.

Por que as lesões por pressão no centro cirúrgico ainda são subestimadas?

Mesmo com evidências crescentes, as lesões por pressão em pacientes cirúrgicos ainda são frequentemente negligenciadas nos sistemas de saúde.

Um dos motivos é que apenas cerca de 5% dessas lesões se tornam visíveis nas primeiras 24 horas após cirurgias prolongadas, o que dificulta a identificação imediata da relação com o procedimento.

Além disso, estudos indicam que o dano tecidual pode continuar evoluindo por até cinco dias após o término da cirurgia, mesmo após a remoção da pressão inicial.

Ou seja, essa característica reforça a importância de estratégias preventivas ainda no período perioperatório.

Qual é o impacto das lesões por pressão para pacientes e hospitais?

As lesões por pressão estão associadas a consequências clínicas, emocionais e econômicas significativas.

Pacientes que desenvolvem essas lesões podem apresentar dor intensa, redução da qualidade de vida e efeitos psicológicos duradouros. Além disso, complicações relacionadas às lesões podem prolongar a hospitalização em até 14 dias adicionais, aumentando a demanda por recursos assistenciais.

Do ponto de vista econômico, o impacto também é expressivo. Nos Estados Unidos, estima-se que as lesões por pressão adquiridas no hospital gerem um custo anual de US$ 26,8 bilhões anualmente, evidenciando a relevância da prevenção como estratégia clínica e financeira.

Quais são os principais fatores de risco para lesão por pressão durante a cirurgia?

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento de lesões por pressão no ambiente cirúrgico. Entre os principais estão:

1.   Tempo de cirurgia prolongado

A duração do procedimento é um dos principais fatores de risco para lesões por pressão no centro cirúrgico. Cirurgias com mais de 3 horas já apresentam aumento da prevalência (até 8,5%). Quando ultrapassam 4 horas, o risco pode ser 2 a 4,5 vezes maior, e cada 30 minutos adicionais. Após esse tempo pode elevar o risco em aproximadamente 33%.

2.   Posicionamento cirúrgico

Posições como prona (de barriga para baixo) ou lateral aumentam a pressão sobre regiões vulneráveis como tórax, joelhos, ouvidos, plexo braquial, trocanter e tornozelos.

3.   Índice de massa corporal (IMC)

Tanto pacientes com obesidade quanto pacientes com baixo peso apresentam maior risco para lesões por pressão.

4.   Comorbidades e condições clínicas

Doenças como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca e doenças cardiovasculares podem comprometer a perfusão tecidual.

5.   Idade avançada

O risco aumenta progressivamente com o envelhecimento, especialmente em pacientes acima de 60 anos.

6.   Agentes farmacológicos

O uso de vasopressores e medicamentos inotrópicos pode contribuir para o desenvolvimento de lesões por pressão ao provocar vasoconstrição e redução do fluxo sanguíneo periférico.

Como prevenir lesões por pressão no paciente cirúrgico?

A prevenção das lesões por pressão no centro cirúrgico exige uma abordagem integrada que envolva avaliação clínica, planejamento assistencial e uso de tecnologias de proteção.

Diretrizes internacionais recomendam a realização de avaliações sistemáticas da pele e do risco antes da cirurgia, além da adoção de protocolos de posicionamento e proteção das proeminências ósseas.

O uso de coberturas profiláticas e dispositivos de redistribuição de pressão tem demonstrado resultados importantes na redução da incidência dessas lesões. Isso contribui para melhores desfechos clínicos e maior segurança do paciente.

Quais soluções podem ajudar na prevenção de lesões por pressão no centro cirúrgico?

Diversas tecnologias podem ser utilizadas como parte de protocolos preventivos para reduzir o risco de lesões por pressão durante procedimentos cirúrgicos. A seguir, separamos alguns exemplos de soluções utilizadas na prevenção:

SoluçãoBenefício clínico
Mepilex® Border Flex, Mepilex® Border Sacrum e Mepilex® Border HeelCoberturas profiláticas para proteção de proeminências ósseas, redução de pressão e cisalhamento e gestão do microclima. Quando utilizadas como parte de um bundle de prevenção, podem contribuir para reduzir em até 75% as lesões por pressão adquiridas no centro cirúrgico e gerar economia de até 43% nos custos assistenciais.
Mepilex® LiteReduz em até 70% o estresse tecidual, auxiliando na redistribuição da pressão e na proteção da pele em áreas faciais expostas a dispositivos médicos, como máscaras de oxigênio e ventilação não invasiva.
Z-Flo® Fluidized PositionerPosicionador fluidizado projetado para diferentes locais anatômicos e cenários clínicos, que auxilia na redistribuição da pressão ao aumentar a área de contato entre o paciente e a superfície de apoio.

Como fortalecer a prevenção de lesões por pressão no centro cirúrgico?

Como vimos ao longo deste material, as lesões por pressão no paciente cirúrgico representam um desafio relevante para os sistemas de saúde.
Elas impactam diretamente a segurança do paciente, os desfechos clínicos e os custos hospitalares.

Embora muitas vezes subestimadas, essas lesões podem ser amplamente prevenidas por meio de estratégias estruturadas que incluam avaliação de risco, posicionamento adequado e uso de tecnologias de proteção. Assim, investir em prevenção no ambiente perioperatório não apenas melhora a experiência e os resultados para o paciente, mas também contribui para a sustentabilidade e eficiência dos serviços de saúde.

Fonte:

Pressure Injury Prevention – in the Operating Room | Mölnlycke